Um passado sombrio

entregar a Deus, Eu estava perdida, graças a Deus,

 

 

Um passado sombrioSe disserem que não se pode chegar mais fundo do que o fundo do poço, enganam-se! Vim de uma família pobre e sempre vi o meu pai a contar o dinheiro para fazer as compras do mês. Éramos 5 filhos e sobrevivíamos, apenas, com o salário do meu pai. Era uma vida precária! Por essa razão, aos 12 anos de idade comecei a trabalhar para conseguir ajudar com as despesas de casa. A minha infância foi marcada pelo sacrifício e sofrimento. Passaram-se uns anos e aconteceu uma tragédia no meu seio familiar.

Aos meus 17 anos recebi a notícia de que o meu pai falecera. Eu, com 17 anos e a minha irmã mais nova de 8 anos fomos deixadas desamparadas em meio a condições deploráveis. Nós morávamos num bairro que era comandado por uma denominação cristã e, após um mês do meu pai falecer, as freiras pediram que nós desocupassemos a casa, temendo que a minha mãe trouxesse algum homem para viver connosco. Antes do meu pai falecer ele estava a construir a nossa casa, mas a sua morte veio impedir o acabamento da mesma. Sem muito dinheiro para terminar, a minha mãe comprou, num ferro velho, umas janelas sem forro. Os invernos naquela casa eram terríveis. O frio chegava a congelar os nossos ossos.

casos-in3Morámos nessas condições durante muitos anos. A chuva e o temporal quase que derrubavam a casa, as dívidas não paravam de crescer e, para piorar, oficiais de justiça queriam leiloar a casa. Sem aguentar aquela situação, comecei a trabalhar na praia e fiquei 3 anos desaparecida de casa, sem dar qualquer notícia à minha mãe, porque eu tinha vergonha que minha mãe soubesse da vida que estava a viver.

Nessa loucura, envolvi-me com muitos homens e experimentei de tudo um pouco, começando pelas drogas. O meu fundo do poço foi quando comecei a vender o meu corpo, pois precisava de sobreviver. Por isso, eu digo que eu cheguei bem mais fundo do que o fundo do poço. Lembro-me de quando estava com mais 3 prostitutas e 2 traficantes.

Estávamos a fazer as nossas atividades ilegais e acabámos por nos esconder num motel.. Era uma vida desgraçada e o dinheiro ganho nesse tipo de vida não rendia. Cheguei ao ponto de bater na porta de amigas na hora do jantar, pois precisava de um sítio para comer. Estava a viver momentos humilhantes! Estava desesperada e precisava de ajuda! Então, refugiei-me em igrejas, tentando procurar uma solução ou momentos de paz, pois, paz, era algo que não existia dentro de mim.

Aquelas igrejas só me passavam emoção e eu chorava toda a vez que eu ouvia aquelas lindas músicas, porém, eu não via solução para os meus problemas. Nunca me disseram que para o meu caso tinha jeito, nem me ensinaram a usar a fé. Limitavam-se a ouvir músicas e a obter momentos de alegria passageiros. Não era isso que eu queria. Eu estava perdida em mim mesma. Precisava de ver uma luz no fundo do túnel. Desiludida com a religião, decidi tentar as coisas com a força do meu braço e parei de frequentar aquelas igrejas.

casos-in2Não demorou muito e descobri que estava grávida, mas eu não sabia quem era o pai. Sinceramente, foram momentos muito difíceis para mim. Estava tão frustrada que decidi abortar, mas não funcionou. Após os 9 meses de gestação dei à luz uma menina que, graças a Deus, nasceu em perfeito estado. Quando a minha filha completou 6 meses, voltei para a casa da minha mãe. Receava que a minha mãe não me aceitasse mais, pois foram 3 anos da minha vida sem dar qualquer satisfação a ela. Mas, inesperadamente, ela recebeu-me de braços abertos.

Porém, ela estava desempregada, sem água e sem luz em casa. A casa cheirava mal e ter lá uma criança era algo impensável, mas eu não tinha outra opção. Certo dia, uma amiga da minha mãe convidou-a para participar de uma reunião no Centro de Ajuda. Ela disse que a vida da minha mãe poderia mudar. Sem nada a perder, ela começou a frequentar as reuniões e a fazer as Correntes de Oração. Através dos propósitos dela, eu aceitei ir para o Centro de Ajuda também, juntamente, com a minha irmã. A nossa vida foi mudando gradualmente. Aquela vida humilhante foi ficando num passado sombrio.

Comecei a ter o desejo de falar aos outros o que Deus tinha feito na minha vida. Deus continuava a operar na minha vida, até que recebi o convite de uma amiga para trabalhar fora. Eu aceitei, fiz as minhas malas e viajei até Espanha onde trabalhei durante 6 meses. Após essa experiência vim para Londres e foi aí que provei de novo o sabor do sofrimento. Virei as costas a Deus, desisti dEle e decidi viver a vida promíscua que, outrora, vivia. Lembro-me de fazer, exatamente, as coisas erradas que fazia antes, porém numa dimensão ainda mais grave. Saía durante a noite e ia para discotecas, bebia exageradamente e, para piorar, estava a nutrir dentro de mim desejos por pessoas do mesmo sexo. Estava, completamente, vazia por dentro. Passaram-se, sensivelmente, 4 anos desde que tinha deixado o Brasil. Até que conheci uma pessoa e começámos a namorar.

casos-4Certo dia, a minha filha escreveu uma carta para mim que dizia: “Mãe, volta, por favor! Parte-me o coração saber que a senhora está longe de Deus, vivendo essa vida. Já chorei muito por isso!” Aquilo tocou-me imenso então decidi voltar para o Brasil. Quando voltei para o Centro de Ajuda, o meu coração estava endurecido. Não conseguia, verdadeiramente, entregar-me para Deus. No dia do meu casamento, eu clamei a Deus!

Sim, no dia do meu casamento, pois para se entregar a Deus não existe hora ou lugar, existe, apenas uma atitude de fé e coragem. Eu pedi a Deus que me aceitasse de novo, pois desta vez eu nunca mais iria virar-Lhe as costas. Todo o medo, desejo homossexual, tristeza e humilhação transformaram-se numa paz genuína e permanente. Uma paz que o mundo desconhece. Que só através do trabalho do Centro de Ajuda somos capazes de adquiri-la. Agradeço a Deus e ao Centro de Ajuda por não terem desistido de mim quando tudo parecia perdido, pois, hoje tenho um casamento feliz, adquiri o meu carro próprio e tenho a minha residência aqui no Reino Unido. Para além do mais, toda a minha família está no Centro de Ajuda!

Arlete Burley

 

 

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