Uma jovem e os seus SEGREDOS

encontrei o Senhor Jesus, encontro com Deus, falar uma palavra, nada a perder,

Uma jovem e os seus SEGREDOS

 

“Cresci num lar onde as agressões eram constantes. Desde os 3 anos de idade que presenciei o meu pai a agredir a minha mãe. Após a sua separação, a minha mãe encontrou outro homem. Homem este que eu tive de chamar de pai. Durante dois dias, eu não tive razões de queixa. A partir do terceiro dia, o homem dócil e gentil tornou-se amargo e violento. Naquele dia eu sofri a primeira agressão de muitas. Talvez vocês se perguntem:

“Qual era a posição da tua mãe perante tudo isso?”. Na realidade, ela não sabia de nada, pois ela trabalhava muito, ou seja, era muito ausente. Ainda que eu contasse, ela não acreditaria. Quando me mudei para Inglaterra, eu não sabia falar uma palavra em Inglês. Na escola, as outras crianças riam-se de mim, para além de me baterem. A minha vida resumia-se em ser agredida na escola e em casa. Lembro-me daquela noite em que, já passava das 23h, e alguém bate à porta violentamente.

Quando a minha mãe abriu a porta, deparamo-nos com o meu padrasto, completamente, embriagado e fora de si. Ele começou a falar coisas horríveis à minha mãe. Eu esperava, atormentada, que chegasse a minha vez de ser maltratada ou agredida. Não se passaram nem dez minutos e ele olha para mim, enfurecido. Vocês já deduziram o que aconteceu não é? Eu comecei a sofrer em silêncio. Sentia-me completamente sozinha e só tinha a companhia do meu diário. Aos nove anos de idade, escrevia e desabafava naquele caderno, onde cada linha contemplava o ódio que eu tinha da minha mãe e do meu padrasto. Naquele diário planeava como iria matá-lo até o seu último fôlego de vida. Cheguei a escrever tudo detalhadamente.

casos-in72 Porém, esse plano não ficou apenas no papel. Lembro-me da noite em que me dirigi até à cozinha e peguei uma faca. Estava determinada a matar o meu padrasto. Então, fui subindo as escadas, rumo ao quarto dele, mas a minha mãe apareceu, repentinamente, e eu perdi a coragem de fazê-lo. Visto que eu não consegui tirar a vida dele, tive a ideia de tirar a minha própria vida. Saber que a minha mãe poderia ficar em depressão e sentir-se culpada pela minha morte deu-me muito prazer, pois para mim, a única culpada pelo meu sofrimento era, simplesmente, ela. Eu tinha uma mãe, mas era como se não tivesse. Eu vivia presa com os meus pensamentos suicídas e de solidão.

A única pessoa que conseguia ver o sofrimento da minha família era a minha avó. Então, ela convidou-nos a ir para o Centro de Ajuda. Na realidade, eu não sabia muito bem o que era isso de Centro de Ajuda, mas só pelo nome eu decidi ir, pois, eu, realmente, precisava de ajuda. Eu não tinha nada a perder. Os anos se passaram e eu aprendi o significado da palavra “fé” e como deveria usá-la. Lembro-me, perfeitamente, a primeira vez que participei de uma Campanha de Israel. O meu pedido foi para ter paz no meu lar e, assim aconteceu. O meu padrasto saiu de casa. Mas, mesmo assim, aquele vazio que eu sentia não tinha desaparecido por completo, pois eu ainda não tinha colocado a minha vida, verdadeiramente, nas mãos de Deus.

Acabei por fazer amizades na escola. Essas amizades influenciaram-me a fumar e a beber. O meu aproveitamento escolar era muito baixo, pois eu preferia faltar às aulas para estar com os amigos. As festas aos Sábados eram cada vez mais constantes, cheguei ao ponto de chegar em casa, completamente, embriagada. A minha mãe e a minha avó não podiam estar mais desiludidas comigo. Eu já não me conseguia concentrar nas reuniões.

casos-in56 A ansiedade de estar com os meus amigos era tão grande que só me preocupava com isso. Na hora da oração, sentia-me vazia e longe de Deus. Na realidade, desde pequena, sempre me senti vazia. Por isso, eu procurava formas de preencher esse vazio, mas de forma errada. Recordo-me que olhava para os jovens no Centro de Ajuda, sempre felizes, com um sorriso no rosto e sempre dispostos a continuar a lutar pela salvação deles. Dentro de mim, eu queria aquilo que eles tinham, eu queria voltar atrás, consertar o meu erro e continuar na presença de Deus.

Quem olhasse para mim via uma pessoa extrovertida e alegre, mas isso não era real. Eu, ainda, não tinha perdoado a minha mãe. Eu não conseguia ficar sozinha, não me sentia segura com a minha própria aparência. Somente, o rock/heavy metal levantava a minha autoestima. Então, decidi ir mais vezes ao Centro de Ajuda.

Envolvi-me mais nas coisas de Deus, mas sem deixar de sair e conviver com as minhas amizades da escola, porque o pensamento de ficar sozinha apavorava-me. Numa destas saídas, eu e os meus amigos passámos por uma rua muito silenciosa e sem iluminação quando nos deparámos com um grupo de homens com os rostos cobertos que chamavam por nós.

Na altura, as manifestações de violência em Agosto de 2011 não tinham terminado. Corri o mais rápido que pude, chorei e supliquei a Deus para me livrar daquela situação. Eu pensei que fosse morrer! Naquele mesmo momento fiz um voto com Deus, determinei que se Ele me livrasse, eu nunca mais iria brincar nem afastar-me da Sua presença e que O serviria por toda a minha vida.

De repente, senti-me tranquila e ao olhar para trás notei que aquele grupo de rapazes já não nos perseguia. Desde então, entendi que Deus tinha um plano para mim, e assim deu-se um novo começo em minha vida. Não vou afirmar que é um processo fácil, porque, na realidade, não é! Tudo depende de nós. Temos de ser determinados e saber o que, realmente, queremos. Agora, já não existe ódio dentro de mim, eu amo a minha família, o meu coração está repleto de alegria pois tive um encontro com Deus. Ele deu-me uma nova vida. Eu já não tenho medo de estar sozinha pois encontrei o Senhor Jesus. Fui capaz de perdoar e esquecer todos os traumas do passado.”

Tatiana de Sousa

 

 

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