Ruas perigosas: A vida que deixei para trás

da maneira certa, da mesma maneira, vida mais difícil,

 

 

Ruas perigosas: A vida que deixei para trásEra embaraçoso. Eu sabia que todas as pessoas que passavam pela minha casa podiam ouvir as discussões entre o meu pai e a minha mãe. A localização da minha casa permitia que todos ouvissem. Eu tinha vergonha da minha família. Todos falavam sobre eles e ainda “lançavam piadas” sobre o assunto. A rivalidade entre os meus pais estava a afectar toda a minha família. Devido a isso, aos sete anos de idade já era uma criança com muito ódio dentro de mim.

Cansada dessa situação, a minha mãe deixou o meu pai e mudou-se para o Reino Unido deixando os seus filhos para trás. Contudo, o meu pai não assumia a sua responsabilidade paterna e estava sempre ausente. Fomos deixados sem comida ou dinheiro, então eu comecei a obter aquilo que precisava através da vida do crime. Se não houvesse comida em casa, eu batia em alguém e roubava para conseguir algo para comer – era tão simples quanto isso. Eu precisava de viver. Eu era jovem e todos aqueles que me rodeavam eram, pelo menos, cinco anos mais velhos do que eu. Eles eram como se fossem os meus irmãos mais velhos, influenciando-me a fazer coisas que faziam crescer o meu ego e faziam-me sentir como se eu fosse o “tal.”

Eu era respeitado e arranjei um nome para mim que eu usava para o meu próprio benefício. Nesta altura, eu já me tinha juntado a um grupo de rapazes que se envolviam em tiroteios em áreas diferentes. Os meus irmãos envolveram-se com este estilo de vida primeiro, assim que eu comecei a envolver-me com isso, o meu primo ensinou-me a como manejar uma arma. Passado algum tempo, eu fui viver num país diferente, mas as coisas continuaram a acontecer da mesma maneira. Eu, imediatamente, envolvi-me de novo no mundo do crime, pois era a esse estilo de vida que eu estava acostumado e como eu sabia mais sobre isso do que os meus amigos, rapidamente, tornei-me o líder da gangue.

casos-inTivemos confrontos com uma área rival de Londres, consequentemente, pessoas começaram a procurar-me, pois queriam ver-me morto. Então, eu mantive duas armas em minha posse. Aos 14 anos, eu já vendia crack e fazia £ 500 por semana, porém eu gastava tudo no jogo. Com uma barba, e um olhar mais maduro, ninguém me questionava nos casinos. Às vezes eu ganhava até £ 2.500, outras vezes eu perdia tudo. Eu mendigava dinheiro antes e depois da escola, às vezes roubava a minha mãe e a minha namorada na época apenas para jogar. Por vender drogas, a polícia invadiu a minha casa, e capturou-me. Fui colocado numa cela durante 24 horas.

Isso acontecia várias vezes. Certo dia, fui convidado para o Grupo Jovem, um grupo que pertence ao Centro de Ajuda. Isso aconteceu num momento da minha vida cheio de perdas. Eu era o “Superkid of London” – Eu fiz desporto e foi me oferecido bolsas de estudo e a oportunidade de jogar em clubes remunerados, porém o meu comportamento fez-me perder todas essas oportunidades.

Quando eu fui convidado para o Centro de Ajuda, um amigo próximo, que estava envolvido nesse estilo de vida, sofreu um ataque onde a sua garganta foi cortada. Nós éramos parecidos, por isso desconfiei de que alguém o tivesse confundido comigo. Isso acordou-me. Eu queria sair!

Sexta-feira, foi a primeira vez que entrei no Centro de Ajuda. Eu não estava à espera que, após a reunião, eu sentisse uma diferença, então, eu decidi ficar e ver o que aquele lugar poderia acrescentar na minha vida. Eu não tinha nada a perder. A Campanha de Israel era uma oportunidade que eu sabia que não poderia perder, então participei dela para mudar o meu mau humor e o vício do jogo. Eu já tinha parado de vender drogas, então eu não tinha fonte de renda e como eu tinha entrado no Reino Unido sem a minha residência no país, isso tornou a minha vida mais difícil. Cumprir o meu voto tornou-se um desafio, mas eu sabia o homem que eu queria ser.

casos-in3Porém, a mudança completa aconteceu quando eu parei de me associar com pessoas da minha velha vida. Fui detido porque eu decidi contar a verdade sobre a minha situação de imigração, algo que eu nunca tinha feito antes. Eu estava farto de não conseguir trabalhar, por isso, enquanto aprendia a usar a minha fé no Centro de Ajuda, eu fui para o Consulado e pedi os meus documentos. Eu fui a tribunal e o juiz percebeu que eu tinha mudado, o meu registro foi limpo.

Fui muito apoiado pelo Grupo Jovem que veio para o meu julgamento. O juiz concedeu-me residência por tempo indeterminado. As coisas estavam a melhorar e eu tive a prova de que a minha vida poderia mudar, e era o que estava a acontecer! Todas as coisas que eu nunca pensei que poderia fazer, eu estava a conseguir. Então, eu conheci a Millenna . Eu já tinha trabalhado com ela no Grupo Jovem e o seu carácter atraiu-me muito. Eu não conseguia imaginar outra coisa, se não assumi-la como a minha esposa.

Então eu convidei -a para se juntar a mim na Caminhada do Amor, um evento que foi anunciado no Centro de Ajuda,e ela concordou. Passámos aquele dia juntos, a conversar. Pouco tempo depois começámos a namorar, eu não tinha dúvida de que era ela. Passaram-se cinco meses e eu pedi-a em casamento. Quatro meses depois, casámo-nos. Estamos casados há um ano e dois meses, e estamos, incrivelmente, felizes juntos, investindo, constantemente no nosso casamento. Até chegar ao Centro de Ajuda , eu nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo.

Eu não tinha modelos positivos, mas eu sou o primeiro na minha família a ser feliz no casamento . Eu sou um homem que trabalha livremente e estou contente com a minha vida, porque agora eu estou a vivê-la da maneira certa . Eu livrei-me do antigo estilo de vida, e nunca mais voltarei a ele. Não há nada lá para mim. Com a minha esposa ao meu lado , a minha fé em Deus e com o apoio e ajuda que eu sempre irei receber do Centro de Ajuda , o que mais poderia querer?

Talshon Thompson

 

 

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