Pensamentos de suicídio

fazendo o melhor, importância do perdão,

inQuando era criança rogaram-me uma praga, haviam dito que nunca ia gostar dos meus pais, que seria infeliz e mau aluno. E assim aconteceu…

Depois disso, fizeram um trabalho espiritual, e fiquei entre a vida e a morte, os meus pais na sua ignorância, pensando estar fazendo o melhor, levaram-me a um bruxo procurando a minha cura. Eles diziam que eu tinha o “bucho virado” o estômago virado,
vomitava tudo que ingeria.

Eu era só pele e osso, os meus pais já não tinham muita esperança que eu sobrevivesse. Um tempo depois, aos 7/8 anos de idade, via vultos, era uma criança triste, fugia e distanciava-me dos meus pais, rejeitava todo o carinho que eles tentavam me dar, não gostava deles. Era um péssimo aluno e filho.

Os meus pais não sabiam o que fazer comigo, tinham medo de se aproximar de mim, porque nunca sabiam como reagiria. Com a vinda de um irmão mais novo a situação piorou. A maioria das vezes quando estava com os meus pais via os vultos, chorava, tinha medo de estar sozinho, porque sentia a presença de alguém perto de mim. Ouvia muitos barulhos em casa.

Quando estava deitado, sentia alguém a respirar no meu rosto. Uma amiga da minha avó, uma vez manifestou com um espírito e falou que não deveria de ter medo de ver vultos e ouvir barulho dentro de casa, porque era o meu “anjo da guarda”, e ele queria simplesmente proteger-me.

A minha tia, (que faleceu o mês passado) e a minha avó sempre frequentaram casas de bruxos, feiticeiros, curandeiros, etc… Tudo porque os bruxos diziam que a minha tia tinha um dom que precisava ser trabalhado. Sinceramente, nunca vi dom nenhum, mas sim uma vida de miséria, tristeza e sofrimento, acabando por falecer com cancro. Aos meus 15/16 anos comecei a ter pensamentos de suicídio, achava que não estava fazendo nada neste mundo, não sabia porque existia, andava sempre sozinho, isolado do mundo, não gostava dos meus pais e comecei também a não gostar das pessoas. Fechava-me no quarto, e só saia para comer e ir à casa de banho. Muitas vezes tinha comida no quarto, e dizia a minha mãe que não tinha fome, que não queria comer.

Qualquer coisa era pretexto para discutir com a minha mãe e falar mal do meu pai. Pensei muitas vezes em atirar-me da ponte, cheguei a ter uma faca encostada ao meu peito, tive quase concretizando o ato, mas nesse momento, foi neles que pensei. Junto com todos os sintomas, ainda comecei a ter dores fortes e constantes de cabeça e nas costas.

Frequentando as reuniões de domingo e quarta-feira, aprendi a importância do perdão, perdoei, meus pais. A minha mãe nunca tinha ouvido uma palavra de afeto ou um gesto de carinho da minha parte, esperou muitos anos por um beijo meu e um abraço. Foi de mais valia para mim, as reuniões de sexta-feira, libertei –me todos medos e males espirituais . As quintas-feiras, foram e são
fundamentais, aprendi a amar e a valorizar a minha família, este bem maior.

Hoje, abraço a minha mãe, digo que a adoro e gosto muito dela. Consigo ver a felicidade nos olhos dela, e o orgulho pelo filho que me tornei. Embora separados pela distância, eu em Londres e ela em Portugal, estamos mais perto que nunca. Tenho vontade de viver e
alcançar os meus sonhos que nunca tive antes.

Tudo graças ao Centro de Ajuda.

Obrigado a todos que me acolheram calorosamente, pelos ensinamentos e pela oportunidade que me deram em amar e saber amar.

Tiago André Fernandes, Finsbury Park

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