O princípio do fim

comecei a fumar, Eu sabia que, um homem completamente diferente,

 

 

O princípio do fimQuando menino, o meu pai batia-me sem nenhum motivo. Você não tem ideia do quanto isso magoava-me por dentro. Eu comecei a odiá-lo e eu lembro-me de dizer-lhe que um dia iria matá-lo. O tempo passou e ele continuava a agredir-me. Eu já não era mais uma criança. Até que um dia, ele tentou bater-me e eu, de imediato, dei um soco no rosto dele.

Todos os adolescentes fazem amigos, mas o meu caso era diferente. As pessoas que eu conhecia não tinham nada para me oferecer. Por causa deles, eu comecei a fumar maconha, mas com o tempo a maconha não foi suficiente. Então, mudei para algo mais forte. Comecei a envolver-me com o crack. A partir daquele momento começou o princípio do meu fim. Eu fiquei tão dependente que eu já não conseguia viver sem aquilo. Eu, realmente, comecei a perder o controle!

A minha família nunca me julgou ou criticou, apesar de conseguir ver a tristeza nos seus olhos. Eu acho que eles não percebiam o que estava a acontecer comigo. Eles, simplesmente, não faziam nada para me parar e as coisas só foram piorando. Quanto mais tempo se passava, mais me aprofundava no vício. A minha família chegou ao ponto de colocar cadeados nas portas, para evitar que eu roubasse os seus pertences, pois eu precisava comprar drogas. Eu já tinha vendido todos os meus pertences para alimentar o meu vício. Eu costumava fumar à frente da minha mãe. A única coisa que ela sabia ao certo sobre mim, era que eu era o seu filho, o viciado em crack.

CASOS-in7Não existiam momentos em que eu não pensava em viver no estrangeiro, por isso, eu fiquei muito contente quando me foi dada a oportunidade de trabalhar em Portugal. Eu mal pude acreditar que estava, finalmente, a sair do Brasil para trabalhar. Poderia ter sido o início de uma nova vida, mas eu não consegui superar aquele vício que me escravizava. Eu sabia que ia trabalhar num estábulo com cavalos, mas não fazia ideia de que iria trabalhar para famosos e ricos. Acabei por fazer novos amigos e, consequentemente, envolvi-me, profundamente, com a vida noturna e foi aí que o meu vício piorou. Eu comecei a beber, fumar e a consumir droga com os meus novos amigos.

Na hora, era maravilhoso, sentia-me como o dono do mundo. Porém, esse sentimento era momentâneo e a minha vida começou a desabar rapidamente. Eu não entendia como era possível ter chegado naquele ponto. Eu tinha um bom trabalho, mas era muito infeliz. Como é que foi possível perder todo o controle da minha vida? Após algum tempo, recebi um convite para trabalhar em Inglaterra. Foi mais uma grande oportunidade que eu não podia perder. Mudei-me para Inglaterra em 2005, e mais uma vez, eu pensei que a minha vida ia mudar.

Agora percebo que os meus amigos foram os grandes mentores da minha queda. Foi por causa deles que me envolvi no mundo das drogas. Eu perdi muito peso, cheguei a pesar 57kg. Eu era apenas pele e osso. Fiquei tão deprimido que cheguei ao ponto de começar a ficar louco. Durante umas das minhas noites de insónia, enquanto assistia televisão, deparei-me com um canal onde um homem falava. Estranhamente foi como se ele tivesse vivido tudo o que eu estava a viver naquele momento.

Porém, havia algo diferente na sua história – ele estava livre das drogas. Ele conseguiu superar a si mesmo, no Centro de Ajuda. Logo pensei: “ Eu quero conseguir o que esse homem conseguiu”. Eu andei 60 milhas durante uma hora e meia para chegar ao Centro de Ajuda. A primeira pessoa que lá encontrei, foi um conselheiro espiritual.

Eu nunca vou esquecê-lo. Sentia-me inútil, mas as palavras: “Nós podemos ajudá-lo Jeff”, foram como uma luz brilhante rompendo a escuridão. Depois da minha mãe ter me dito que eu não tinha solução, perdi a esperança. E não conseguia entender porque é que Deus queria fazer tudo de novo na minha vida. Eu não sabia no que acreditar, mas aquele homem acreditou em mim.

Por causa dele eu saí do Centro de Ajuda confiante e fortalecido, como nunca tinha estado antes. Ele orientou-me a ir todas as Sextas-feiras, pois eu precisava passar pelo processo de libertação. Logo após, Quartas-feiras, Sextas-feiras e Domingos tornaram-se dias importantes na minha vida. Cada reunião que assistia era como um trampolim – algo que me dava impulso. Quando a Campanha de Israel foi anunciada, eu lancei-me. Eu sacrifiquei em prol da minha libertação e mudança.

casos-in31Pouco a pouco, ganhei força para acabar com o meu vício. Aquela pessoa com raiva foi mudando gradualmente e um novo Jefferson nasceu. Deixei as más companhias e voltei a ter uma relação com a minha mãe que ficou surpreendida com a minha mudança. Porém, eu ainda estava ilegal no país e o meu advogado disse que eu tinha 0% de chances de conseguir a minha residência.

Eu estava tão determinado que o meu advogado pensou que eu estava louco. Ele não acreditava em mim, mas aquilo não me importava, porque desta vez eu acreditava em mim. Então, participei mais uma vez de uma Campanha de Israel para conseguir a minha residência no país.

Quando fui ao tribunal o juíz, sem muita esperança para o meu caso, disse que me daria uma resposta em algumas semanas. Confesso que fiquei um pouco preocupado, mas eu sabia o que tinha feito no altar. Nem o meu advogado percebia a razão de eu estar tão positivo. Um tempo depois, ele liga-me e eufórico diz: “Jeff ! Você é tão sortudo! Você ganhou o caso. Eu não sei como, mas você ganhou”. Não era questão de sorte, mas sim de fé. Deus honrou o meu sacrifício.

Hoje, eu sou um homem completamente diferente. Tenho paz e alegria e eu reconstrui a relação com a minha família. Estou casado com minha linda noiva que conheci na Terapia do Amor. Eu não amo somente a ela, mas amo a mim mesmo também! Alguém acreditou em mim e deu-me uma oportunidade. Eles viram que eu podia mudar. Se eu pude, você também pode!

Jefferson Oliveira

 

 

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