O diário de uma jovem

era muito jovem, homem dos meus sonhos, minha melhor amiga,

O diário de uma jovem

 

Eu nasci num lar onde, aparentemente, havia união e felicidade. Mas, na verdade, não era isso que acontecia. A minha mãe era muito ciumenta e isso causava várias discussões em casa. Lembro-me das vezes sem conta em que a minha mãe agrediu os meus irmãos só para descontar a frustração que sentia. Assistindo a esses episódios fui me tornando numa criança calada e fechada, receando que eu fosse a próxima a ser agredida por ela. Com isso, complexos de inferioridade foram crescendo dentro de mim. Fechei-me no meu mundo. Tímida, não conversava com ninguém.

Vagueava constantemente nos meus pensamentos, sozinha, somente eu e eles. Acabei por me tornar numa jovem com muito medo e dependente dos meus pais para tudo.

Aos 18 anos, a menina tímida e fechada apaixonou-se. Eu pensei que aquela pessoa fosse o tal, pois, aparentemente, aquele era um sentimento que eu nunca tinha sentido antes. Naquela época, eu o via como o homem dos meus sonhos, porém, a minha mãe não quis aceitar o nosso relacionamento. Eu queria namorar dentro de casa, mas ela abominava aquela relação.

Foi neste momento que a menina tímida saiu da sua concha e revoltou-se. Eu pensei que já era dona do meu nariz e não dei ouvidos aos conselhos da minha mãe. Mantive aquele relacionamento às escondidas e quando a minha mãe descobriu expulsou-me de casa. Ela estava desiludida comigo, pois eu era a sua filha mais calma e sossegada. Era como se eu a tivesse apunhalado pelas costas. Na realidade, eu não mostrava o que eu era verdadeiramente. Escondia-me naquele rosto inocente e tranquilo, mas só eu sabia o que se passava dentro de mim.

Após a minha mãe expulsar-me de casa, eu fui viver com esse rapaz e a partir dali começou o meu pior pesadelo. Ele começou a não se importar comigo e traiu-me.

Eu não conseguia aceitar aquilo. “Como é que ele tinha feito aquilo comigo, após ter deixado tudo por ele?” – era assim que eu pensava. Eu estava ferida e magoada. A dor foi muito profunda. Eu queria voltar para casa, abraçar de novo a minha família a quem, outrora, eu tinha virado as costas. Surpreendentemente quando eu voltei para casa, ninguém me virou as costas, mas eu voltei para lá com outra mentalidade e pronta para aproveitar a vida ao máximo.

Apesar de já estar no Centro de Ajuda, eu não levava em consideração aquilo que os conselheiros diziam. Achava que não era para mim e que eu era muito jovem para fazer o que me era aconselhado. Eu tinha visto Deus a transformar a minha família e o meu lar, mas eu queria aproveitar a vida do meu jeito.

No entanto, o vazio que eu sentia fez-me despertar. Eu não podia continuar daquele jeito. Eu já tinha feito muitas coisas erradas no passado. Eu precisava apagar aquela Fernanda. Foi aí que eu decidi entregar-me de verdade.

Comecei por fazer as Correntes de Quarta, Sexta-feira e Domingo. Eu queria que aquela raíz que estava dentro de mim fosse arrancada. A raíz da timidez, do medo, do vazio…

Lembro-me daquele Domingo em que eu decidi dar um basta àquele sofrimento e falei com Deus com todas as minhas forças. Eu não queria mais ser daquela maneira. Então, foi naquele dia que eu tive uma experiência com Ele e o meu vazio foi preenchido.

Apesar de, interiormente, sentir-me feliz e de ter enterrado a velha Fernanda eu estava desempregada há mais de um ano. Então, revoltei-me contra essa situação e quando a Campanha de Israel foi anunciada eu lancei-me nessa fé. Comecei a construir o meu sacrifício e, mesmo antes de apresentar o meu sacrifício no Altar de Deus, Ele respondeu-me com um bom emprego. O bom disso tudo é que no Centro de ajuda nunca desistiram de mim, nem a minha família.

Hoje, é com muito orgulho que digo que sou uma nova pessoa. Timidez? Não sei o que é isso. A minha mãe é a minha melhor amiga. Hoje, tenho objetivos, estou na universidade, trabalho e acima de tudo tenho paz dentro de mim. Sou grata por tudo o que Deus fez por mim e ainda vai fazer. Agradeço a cada conselheiro do Centro de Ajuda que nunca desistiu de mim. Não espere mais e venha receber aquilo que eu recebi.”

Fernanda Oliveira

 

 

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