No auge da fúria

oportunidade de mudar, vítima de bullying, voltar para casa,

 

 

No auge da fúria

Eu olhava à minha volta e via, apenas, discussões, uma família sem estrutura, opressão e tristeza. “Será que a culpa é minha?” – pensava. Ao ver a minha família a destruir-se, criou em mim uma dor tão grande que “obrigou-me” a afastar-me de tudo e de todos. Os pensamentos e sentimentos atormentavam-me. Talvez você se pergunte em que momento da minha vida tudo isto aconteceu. Por incrível que pareça, tudo começou na minha infância. Aos nove anos de idade comecei a ter ataques espirituais. “Vagueava pela rua quando de repente, apareço em frente a um penhasco. Ele tenta empurrar-me e diz que quer que eu morra. Eu, desesperadamente, tento lutar contra ele, mas as forças não são suficientes.

Ele tem mais força do que eu. Tento gritar, mas a voz não sai, tento respirar, mas o oxigénio é escasso. As minhas forças chegam ao fim e sinto que devo me render. Sem conseguir lutar mais, ele atira-me contra o penhasco!! O meu corpo cai e eu acordo daquele pesadelo que me atormentava todas as noites.” Parecia que alguém, durante a noite, esfaqueava-me. Lembro-me que a maioria desses ataques aconteciam enquanto eu dormia. Sonhava que estava a ser baleado ou que alguém me empurrava contra penhascos ou edifícios. De manhã, acordava sempre com hematomas nos sítios onde, no sonho, fui esfaqueado ou baleado.

casos-in51Era assustador. Na escola, eu era vítima de bullying. Gozavam comigo, maltratavam-me e isso corroía-me por dentro. Quando mudei de escola, eu pensei que fosse um novo começo para mim, pois ninguém me conhecia, porém, não foi isso que aconteceu. Comecei a ser vítima de bullying, novamente. Eu era o alvo dos provocadores! A pior fase da minha vida foi essa transição da infância para a adolescência. A dor de uma família destruída e aqueles ataques espirituais, bem como todas as provocações de que eu era alvo na escola, criaram em mim o desejo de tirar a minha vida. Não aguentava mais! Para mim, já não havia saída, a não ser morrer! Então, cortava os meus pulsos, pois eu estava cansado de não conseguir encaixar-me na sociedade. Eu não contava o que se passava comigo a ninguém, pois temia que pensassem que eu estava a mentir ou a querer chamar a atenção.

Uma vez que não conseguia tirar a minha própria vida, eu comecei a desejar respeito e dinheiro. Por essa razão, comecei a andar com as

pessoas erradas. Aos 13 anos de idade, perdi a minha virgindade e comecei a ficar viciado em sexo. Eu manipulava as moças, somente para obter prazer. Eu as via, apenas, como um objeto a ser usado e depois deitava fora. Eu conseguia, facilmente, manipulá-las. Gostava de vê-las a sofrer, pois fazia-me sentir que eu não era o único que sofria. Com o passar do tempo, comecei a envolver-me em lutas, chegando ao ponto de ficar viciado em adrenalina. Sempre que lutava via tudo vermelho e era como se alguém possuísse o meu corpo.casos-in6

Porém, o meu filme de terror não acabou por aqui. Para obter dinheiro comecei a vender maconha e, consequentemente, a fumá-la. A minha raiva estava a crescer a olhos nus. Comecei a atacar as pessoas na rua aleatoriamente. O desejo que eu tinha de causar dor nelas era notável. Certo dia, eu estava a voltar para casa com um amigo quando vimos uns rapazes que, por acaso, já tínhamos tido desavenças. Em poucos minutos, já estávamos a lutar com eles, porém, no meio da luta, esse “amigo” fugiu e deixou-me.

Normalmente, quando lutava via tudo vermelho e aquela força negativa que me acompanhava possuía o meu corpo e lutava por mim. Mas, naquele dia foi diferente. Eu não vi nada vermelho nem tão pouco fui possuido. Esta foi a primeira casos-in5luta que eu me senti sozinho. Acabei por ser esfaqueado e a minha visão ficou turva. Tudo o que eu podia ver era aquela figura negra que visitava os meus sonhos todas as noites chamando pelo meu nome. A única coisa que me veio à cabeça foi o nome de Deus. Este acontecimento fez me perceber de que não era assim tão invencível. Eu prometi a mim mesmo que iria mudar e que iria dizer não a esse estilo de vida. Um dia, enquanto andava pela rua, um jovem abordou-me e convidou-me para um grupo.

Ele dizia que era um grupo diferente e que podia ajudar-me a mudar de vida. Eu resolvi ir, pois eu não tinha nada a perder. Lá falavam sobre transformação, fé e determinação. Quando cheguei ao Centro de Ajuda vi que aquele lugar era diferente. Senti-me bem e acolheram-me como se fossem da minha família. Então, comecei a fazer as minhas Correntes de Oração, principalmente, às Sextas-feiras. Eu queria ficar livre daquele tormento! Quando a Campanha de Israel foi anunciada, eu vi aquilo como uma oportunidade. Não poderia perder a oportunidade de mudar de vida. Então, cumpri com o meu voto no altar e Deus não ficou indiferente a isso.

Hoje, eu estou, completamente, livre daqueles ataques espirituais, afastei-me daquelas companhias e já não existe raiva em mim. Pelo contrário, tenho paz e alegria. Agora, faço aquilo que fizeram por mim no Centro de Ajuda, tenho prazer em ajudar os outros e ensiná-los que não há nada impossível para Deus.

Omar Reid

 

 

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