Não é justo que me tratassem daquela forma

Centro de Ajuda Espiritual, conheci uma pessoa, espirito santo, lutando contra tudo, o Espírito Santo, problema do vício, Venezuela, vício da bebida,

Saí de  Portugal pensando em ter uma vida melhor para mim e minha família na Venezuela. Não estar mais enganada, pois ao invés de vivermos um sonho, meus pais e mais cinco crianças, inclusive eu chegamos quase a viver nas ruas.

Meu pai acabou encontrando um amigo que nos acolheu em sua casa até podermos pagar o aluguel da nossa própria casa. Mas o futuro não era promissor, o que levou meu pai ao vício da bebida e a recorrer aos espíritos malignos, mas isso não funcionava e o problema do vício só crescia.

Minha casa virou um campo de guerra, com meus pais discutindo o tempo todo. A raiva e ressentimento que eles nutriam um pelo outro também aumentavam a cada dia. Eu vi minha mãe mergulhar em uma depressão profunda, o que me deixava angustiada. Ainda assim, minha mãe começou a trabalhar  para ajudar nas despesas da família. Eu me lembro de vê-la preparar bolos e nos enviar para vendê-los e  eu ainda ajudava minha mãe a costurar roupas para que pudéssemos vender. Nossa situação era bem difícil.

Um dos piores momentos da minha vida foi quando meu pai ficou muito doente com cirrose e seu fígado foi gravemente afetado. Quando bebia, meu pai se tornava uma pessoa terrível. Ele me dizia coisas horríveis. Aquelas palavras eram como facas afiadas que saíam de sua boca e dilaceravam meu coração. Eu me sentia ofendida e maltratada. No fundo sabia que ele era uma boa pessoa, mas não entendia porque ele agia daquele jeito. Era como se fossem duas pessoas – o pai sóbrio e o pai bêbado.

Quando completei 16 anos,  queria fugir de tudo aquilo e começar uma nova vida, pois já não aguentava mais a situação dentro de casa. Quando eu comecei a trabalhar, conheci uma pessoa, me apaixonei, e decidi começar uma vida nova com aquele rapaz. Em menos de um ano nos casamos. Na verdade, eu queria fugir da vida que vinha levando até então para tentar finalmente ser feliz. No entanto, as coisas não foram como eu esperava. Depois do casamento, ele mudou completamente. Começou a me maltratar, não confiava em mim e me batia constantemente. Me divorciei aos 19 anos, e assim como meu pai, comecei a beber. Achava que já não havia mais esperança para mim, sentia como se a minha vida tivesse acabado e eu fosse uma derrotada.

Um dia, minha tia me convidou para ir ao Centro de Ajuda Espiritual. Aquela seria literalmente minha última chance, pois já havia me consultado com macumbeiros e também gastei muito dinheiro pagando por seus serviços, que afinal não me trouxeram nenhum bem. Em uma ocasião, cheguei a pagar o equivalente a três meses de salário e fiquei em dívida com o pai de santo!  Nada mudou pra mim; pelo contrário, as coisas ficaram piores do que antes…

Quando comecei a frequentar o Centro de Ajuda Espiritual,  comecei a ver uma mudança gradativa em minha vida, através das Correntes de Oração que eu fiz às sextas-feiras. Eu aprendi a usar a minha fé e ter a esperança de um futuro melhor. Eu fiquei maravilhada em saber que Deus é um Ser que pode se manifestar na minha vida, e não uma figura religiosa que não pode fazer nada por mim. Quanto mais eu frequentava as reuniões, mais  queria estar lá, pois me sentia fortalecida e aliviada.

Eventualmente, ouvi falar da Campanha da Terra Santa e decidi participar para alcançar a transformação total em minha vida. Eu queria ser uma mulher forte, com um casamento feliz e ter uma família unida. Eu dei tudo que tinha para Deus na fé pessoal de que Ele levantaria toda a minha vida ao ponto de trocá-la por uma vida nova, a vida que eu tanto sonhei ter. Escrevi meu pedido e apresentei um voto de sacrifício financeiro. Participei das reuniões no Centro de Ajuda quase todos os dias para apresentar o meu pedido a Deus, no propósito da Campanha. Eu, que costumava culpar a Deus por todo o sofrimento que passei, agora confiava a Ele minha vida, na certeza de que Ele não me desampararia.

Depois da campanha, a mudança não foi imediata, mas conforme as semanas foram passando, comecei a ficar mais forte e focada naquilo que queria.

Encontrei paz e felicidade na presença de Deus. Meses se passaram, recebi o Espírito Santo e passei a servir como obreira. Anos se passaram, me casei com um homem amável e comecei uma nova família com ele. Meu pai se libertou do vício da bebida e passou a ser um marido carinhoso para minha mãe.  Enfim, tudo mudou, mas eu continuo lutando contra tudo aquilo que é injusto na minha vida, e continuarei sempre porque Deus é Justo e Ele sempre vem ao meu socorro.

 

Fátima Marques – Brixton

Gostou? Então compartilha:

Deixe um comentário