{"id":63327,"date":"2015-11-18T11:50:30","date_gmt":"2015-11-18T11:50:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uckg.org\/pt\/?p=63327"},"modified":"2021-08-31T10:30:36","modified_gmt":"2021-08-31T08:30:36","slug":"o-assedio-que-nao-poupa-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/o-assedio-que-nao-poupa-ninguem\/","title":{"rendered":"O ass\u00e9dio que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a title=\"O ass\u00e9dio que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m\" href=\"http:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Untitled-22.gif\" rel=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-63329 size-full\" title=\"O ass\u00e9dio que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m\" src=\"http:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Untitled-22.gif\" alt=\"O ass\u00e9dio que n\u00e3o poupa ningu\u00e9m\" width=\"827\" height=\"382\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em outubro, a estreia de um programa de televis\u00e3o que promove uma competi\u00e7\u00e3o entre cozinheiros mirins de 9 a 13 anos gerou pol\u00eamica na internet. Mas o alvoro\u00e7o n\u00e3o foi provocado pelos pratos preparados pelos pequenos nem pela rea\u00e7\u00e3o deles \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos jurados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema foi o ass\u00e9dio sexual sofrido por uma das participantes da atra\u00e7\u00e3o, que tem apenas 12 anos de idade. A menina foi alvo de v\u00e1rios coment\u00e1rios de teor sexual postados por homens nas redes sociais. Havia at\u00e9 xingamentos entre as postagens. Nenhum dos autores do ass\u00e9dio parecia preocupado com o fato de que o envolvimento sexual com menores de 14 anos \u00e9 crime de estupro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Amea\u00e7a \u00e0 inf\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nO abuso sofrido pela menina na internet tamb\u00e9m revelou outra quest\u00e3o: o ass\u00e9dio contra mulheres come\u00e7a muito cedo, normalmente quando elas ainda s\u00e3o crian\u00e7as. Um levantamento do grupo Think Olga mostrou que as brasileiras sofrem o primeiro ass\u00e9dio sexual entre 9 e 10 anos de idade. Para chegar ao resultado, o coletivo analisou hist\u00f3rias de ass\u00e9dio postadas por mulheres na rede social <a href=\"https:\/\/twitter.com\/TheHelpCentre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Twitter<\/a>. O resultado foi assombroso. Milhares de mulheres afirmaram ter sofrido abusos durante a inf\u00e2ncia e grande parte delas revelou que a viol\u00eancia foi praticada por pais, av\u00f4s, tios, primos e amigos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coordenadora nacional do grupo Raabe (que ajuda mulheres que sofreram viol\u00eancia), Carlinda Tin\u00f4co Cis, lembra que o abuso contra crian\u00e7as \u00e9 um problema antigo. \u201cO ass\u00e9dio e o abuso sempre existiram em nossa cultura, n\u00e3o importando a classe social. Antigamente, n\u00e3o existia tanta divulga\u00e7\u00e3o como hoje se v\u00ea, pois as fam\u00edlias eram mais reservadas e as crian\u00e7as, por falta de informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo sexual, se mantinham caladas\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abusada aos 12 anos<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Untitled-15.gif\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-63330\" src=\"http:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Untitled-15.gif\" alt=\"Untitled-1\" width=\"266\" height=\"255\" title=\"\"><\/a>N\u00e3o s\u00e3o apenas as brasileiras que vivem a realidade cruel dos abusos. A portuguesa Teresa Silva (Foto abaixo) tinha 12 anos quando foi violentada sexualmente por uma pessoa pr\u00f3xima de sua fam\u00edlia. \u201c<em>Foi durante a noite, aconteceu uma vez. No outro dia, eu j\u00e1 estava diferente, mudei meu comportamento, fiquei calada<\/em>\u201d, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa conta que seus pais chegaram a fazer perguntas, mas n\u00e3o desconfiaram do que havia acontecido. \u201c<em>Minha m\u00e3e tinha problemas de sa\u00fade e as circunst\u00e2ncias da minha fam\u00edlia n\u00e3o me davam oportunidade para contar<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psic\u00f3logo e mestre em Ci\u00eancias da Fam\u00edlia, Leonardo Cavalcanti Pinheiro, destaca que a falta de di\u00e1logo dificulta a descoberta do abuso. \u201c<em>\u00c9 importante incentivar a crian\u00e7a a contar o que fez durante o dia e n\u00e3o duvidar do seu relato, al\u00e9m de possibilitar a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente aberto e acolhedor<\/em>\u201d, aconselha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio, Teresa tentou esquecer o que tinha acontecido. Entretanto, o abuso provocava dificuldades em seu cotidiano. \u201c<em>Eu n\u00e3o conseguia mais me focar na escola, deixei de ter vontade de viver.<\/em>\u201d Ela tamb\u00e9m passou a viver com medo. \u201c<em>Eu n\u00e3o podia ficar perto da pessoa que tinha abusado de mim, tremia de medo quando algu\u00e9m falava o nome dela, era um tormento constante<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Pinheiro, muitos abusos permanecem em segredo por causa da <a title=\"Seu chefe faz perguntas embara\u00e7osas?\" href=\"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/seu-chefe-faz-perguntas-embaracosas\/\">rela\u00e7\u00e3o de poder<\/a> que o abusador tem com a v\u00edtima. \u201c<em>\u00c9 comum encontrar no consult\u00f3rio crian\u00e7as e adolescentes que sofreram viol\u00eancia sexual e que foram amea\u00e7adas f\u00edsica e psicologicamente, t\u00eam medo de ser punidas pelo que sofreram, carregam culpa ou vergonha, al\u00e9m de confus\u00e3o de sentimentos<\/em>\u201d, analisa o especialista, que tem experi\u00eancia em atendimento a crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de viol\u00eancia.<br \/>\nTeresa escondeu a situa\u00e7\u00e3o de seus pais por dois anos. Um dia, entretanto, ela desabafou. \u201c<em>Minha m\u00e3e simplesmente ouviu e saiu da sala sem dizer nada. J\u00e1 meu pai queria saber se eu estava bem. O sil\u00eancio dela me matou ainda mais por dentro. Eu me senti um fracasso<\/em>\u201d, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de apoio da m\u00e3e gerou uma m\u00e1goa que s\u00f3 come\u00e7ou a ser superada quando Teresa passou a frequentar as reuni\u00f5es da Universal em Portugal. \u201c<em>O abuso gerou uma necessidade de ser amada e querida. Comecei a ir \u00e0s reuni\u00f5es e fui curada espiritualmente. Recebi de Deus o amor que n\u00e3o tinha recebido de ningu\u00e9m<\/em>\u201d, assegura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa perdoou a m\u00e3e e o agressor por volta de 14 anos. Por\u00e9m, j\u00e1 adulta, ela percebeu que ainda havia <a title=\"Minha vida era um Inferno\" href=\"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/minha-vida-era-um-inferno\/\">algo do passado<\/a> que a incomodava. \u201c<em>Eu tinha medo de errar, carregava inseguran\u00e7as e baixa autoestima. Eu me comparava ao meu marido e me achava burrinha. Tinha dificuldade de tomar decis\u00f5es<\/em>\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa revela que conseguiu resolver essas quest\u00f5es por meio dos desafios do grupo Godllywood. \u201c<em>Se a mulher tem medo de alguma coisa ou rejeita algo, isso pode ter uma raiz no passado. O Godllywood me ajudou a entender e a superar isso. Hoje, falo do meu passado sem nenhum gosto amargo na boca<\/em>\u201d, conclui Teresa, que hoje tem 39 anos e mora na Nova Zel\u00e2ndia com o esposo, o bispo Vitor Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea pode fazer<\/strong><br \/>\nO pastor Guilherme Henriques, coordenador pol\u00edtico da Universal em S\u00e3o Paulo, lembra que a popula\u00e7\u00e3o pode ajudar a combater os abusos por meio de den\u00fancias ao Disque 100 (territ\u00f3rio Brasileiro). \u201c<em>Suspeitas de abuso de crian\u00e7as ou adolescentes tamb\u00e9m podem ser encaminhadas ao Conselho Tutelar, que tem como atribui\u00e7\u00e3o ouvir, orientar e encaminhar os casos. A fam\u00edlia pode ser direcionada para os setores de acompanhamento familiar, com psic\u00f3logos e outros profissionais, para que possam ser garantidos os direitos de crian\u00e7as e adolescentes<\/em>\u201d, esclarece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a psic\u00f3loga Sylvia Flores aconselha que pais e respons\u00e1veis ensinem as crian\u00e7as que homens e mulheres devem ser respeitados da mesma forma. \u201c<em>Desde cedo, a menina aprende, atrav\u00e9s das investidas masculinas, que ela \u00e9 fr\u00e1gil e pode ser agredida e dominada pelos homens. E a educa\u00e7\u00e3o dos meninos? Eles est\u00e3o sendo ensinados a respeitar a mulher ou a agir como ca\u00e7adores?<\/em>\u201d, questiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela refor\u00e7a que a fam\u00edlia deve denunciar o abuso. \u201c<em>Se a viol\u00eancia aconteceu, \u00e9 necess\u00e1rio denunciar, mesmo que haja constrangimento e vergonha. Quem tem que ter vergonha \u00e9 o abusador, n\u00e3o a v\u00edtima<\/em>\u201d, conclui Sylvia, que \u00e9 professora do Centro Universit\u00e1rio Newton Paiva, de Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlinda Tin\u00f4co Cis complementa que as v\u00edtimas precisam de apoio e tratamento para evitar que o crime afete suas vidas. \u201c<em>Se o abuso j\u00e1 aconteceu, \u00e9 importante buscar ajuda para a cura interior, pois s\u00f3 mesmo a presen\u00e7a de Deus para cicatrizar. A fam\u00edlia tem que apoiar e acolher a v\u00edtima.<\/em>\u201d <span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rahabgroup\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O projeto Raabe<\/strong> <\/a>oferece orienta\u00e7\u00e3o gratuita a mulheres v\u00edtimas de todos os tipos de viol\u00eancia nas unidades da Universal espalhadas pelo Pa\u00eds. Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser obtidas pelo telefone <\/span><em><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">020 7272 1010.<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.5;\">Medo de ser estuprada<br \/>\n<\/strong><span style=\"line-height: 1.5;\">Uma pesquisa da Think Olga mostrou que 81% das brasileiras j\u00e1 deixaram de fazer alguma atividade por medo de sofrer ass\u00e9dio. Em outras palavras, as mulheres t\u00eam medo de ser agredidas por homens que acreditam possuir direitos sobre seus corpos. E o medo tem fundamento: s\u00f3 em 2014, o Brasil registrou 47,6 mil estupros, segundo o 9\u00ba Anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. O n\u00famero de casos pode chegar a 500 mil ao ano, pois s\u00f3 uma pequena parte dos crimes \u00e9 registrada, aponta uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). J\u00e1 o estudo Mapa da Viol\u00eancia indica que a viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual mata uma mulher a cada duas horas no Brasil. Entre 1980 e 2010, foram 92 mil assassinatos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada abuso \u2013 seja piada, seja cantada ou estupro \u2013 \u00e9 um sinal claro da desvaloriza\u00e7\u00e3o e do desrespeito com que as mulheres ainda s\u00e3o tratadas. Para mudar essa realidade, \u00e9 preciso que as pessoas n\u00e3o se calem. Na internet, em casa, no trabalho ou nas ruas, o abuso deve ser rejeitado, combatido e denunciado \u00e0s autoridades. Essa atitude \u00e9 fundamental para reduzir o n\u00famero de mortes, promover a valoriza\u00e7\u00e3o da mulher e garantir que a igualdade de direitos seja respeitada no Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostou dessa mat\u00e9ria? Ent\u00e3o compartilhe com seus amigos e conhecidos nas redes sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caso de menina de 12 anos assediada na internet mostra que o desrespeito e a viol\u00eancia sexual ainda fazem parte do cotidiano de mulheres de todas as idades<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[683,657,658],"tags":[5051,1389],"class_list":["post-63327","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-internacional-news","category-noticias","category-noticias-do-mundo","tag-algo-do-passado","tag-relacao-de-poder"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63327"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97669,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63327\/revisions\/97669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.uckg.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}