Uma vida de aparências

chegava do trabalho, como dois estranhos, desejo de conhecer a Deus,

Uma vida de aparências

 

O que me fazia chorar eram as discussões entre os meus pais, eles agrediam um ao outro verbalmente e fisicamente também. Eu era uma pessoa que passava felicidade para os outros, mas por dentro era triste e sem esperança. Com a morte do meu pai, as coisas pioraram ainda mais, porque não o tinha mais por perto, e de certa forma nem a minha mãe, pois ela passava muito tempo a trabalhar para puder sustentar a nossa família.

Com nove anos eu sabia que tinha que ajuda-la, eu cuidava da casa e da minha irmã, fazia o que podia, mesmo assim as brigas eram frequentes entre nós as duas. Quase não havia diálogo dentro de casa, quando ela chegava do trabalho estava sempre nervosa, e ao fim-de-semana ela estava sempre embriagada.

Devido às brigas com ela e a minha irmã, aos 10 anos eu escrevi uma carta de despedida para ela, havia em mim um desejo de suicídio, mas não sabia ao certo como tirar a minha própria vida. O sofrimento tomava conta de mim, não havia ninguém com quem eu pudesse desabafar e dizer o que sentia.

Aos 18 anos tive o meu primeiro namorado sério, depositei nele toda minha confiança, era alguém com quem eu conversava e contava os meus problemas. A tristeza tornou-se em depressão depois dele romper o nosso noivado. Eu só chorava e perdi 8kg em uma semana. Tentei o suicídio pela primeira vez, tomando vários comprimidos, que me causaram feridas no estômago durante muito tempo.
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Mais tarde, conheci um rapaz que aparentava ser “o tal”, e eu, procurando um refúgio, casei-me com ele na esperança de esquecer o meu ex-namorado e ser feliz. Não foi preciso muito tempo para eu reconhecer que eu não o amava. O meu casamento era de aparência; na rua éramos um casal, em casa éramos como dois estranhos.

Não havia diálogo, atenção e tão pouco carinho de ambas as partes. Depois de dois anos decidi me separar e parar com aquela hipocrisia. Mudei-me para a Inglaterra onde me envolvi em festas, amizades, e tive vários namorados. Eu só queria me vingar dos homens por aquilo que havia sofrido.

Eu culpava Deus pela vida que eu tinha, falar de Deus para mim era uma ofensa, eu não acreditava que Ele existia. Eram noites em claro, sozinha e num país distante da família e de todos, foi o fim para mim. Eu tentei me lançar na linha do metro após descobrir que estava grávida, mas quando estava prestes a fazê-lo, algo me dizia que havia solução.

Saí da plataforma e recebi um telefonema da minha mãe a convidar-me para ir ao Centro de Ajuda. Comecei a frequentar as reuniões ao domingo e aceitei as orientações dadas pelos concelheiros espirituais incluindo as Correntes de Oração. Lembro-me de chorar durante as noites, e a mudança após ir à primeira reunião no Centro de Ajuda foi a noite mais serena.

Quanto mais eu praticava o que aprendia, mais havia em mim o desejo de conhecer a Deus. Foi quando decidi focar e investir no meu relacionamento com Deus. Esqueci-me de mim mesma e dispus-me a fazer a vontade Dele. Hoje eu tenho paz, a minha mãe é a minha melhor amiga e a filha que um dia foi indesejada hoje é o amor da minha vida. Sou feliz e realizada.

Hellen Nascimento

 

 

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