Queria matar meu pai

dentro do seu coração, Não foi fáci, o grupo jovem, uma vida nova,

 

 

Queria matar meu pai

Cresci vendo meu pai agredir minha mãe. Eu tinha 12 anos de idade quando presenciei uma das piores brigas entre eles. Durante a discussão meu pai quebrou a perna da minha mãe. Ela teve que passar por uma cirurgia e ficou hospitalizada durante três meses. Enquanto isso, meu pai trouxe outra mulher para viver conosco.

Aquilo tudo despertou uma revolta tão grande dentro de mim que cheguei a escrever em meu diário: ‘um dia vou matar meu pai!’ Com o passar do tempo, meus pais finalmente resolveram se separar. Minha mãe decidiu sair de Angola e começar uma vida nova comigo e com a minha irmã no Reino Unido.

Entretanto, o ódio que eu sentia pelo meu pai me acompanhou. Mas, apesar de repudiar o seu comportamento, me tornei igual a ele. Isso passou a afetar os meus estudos. Minha minha mãe recebia cartas da escola dizendo que eu era mal aluno, que eu batia nos outros, etc. Além disso, por causa da influência das más companhias com quem eu andava naquela época, me tornei também um viciado em pornografia.

Caminho para a mudança

Achava que todo esse processo que estava vivendo na minha vida era irreversível, até o dia em que minha irmã, que sofria de asma, teve um de seus ataques. Uma prima nossa que já frequentava o Centro de Ajuda, levou-a à Igreja e já na primeira oração, minha irmã ficou bem e de lá para cá nunca mais sofreu de asma. Ao ver isso, minha mãe se motivou a frequentar a Igreja.

Ela sempre me convidava para acompanhá-la, mas eu recusava. Após muita insistência, aceitei o seu convite. Depois de um tempo entrei para o grupo jovem, o qual me ajudou bastante, mas ainda assim não conseguia deixar de odiar meu pai.

Tudo começou a mudar durante uma reunião em que ouvi o pastor dizer: ‘talvez você viva de aparências, mas aí dentro do seu coração você está chorando’. Naquele momento fiz uma oração sincera a Deus dizendo que se ele me livrasse dos sentimentos de mágoa e rancor, eu iria segui-Lo.
Imediatamente percebi que todos aqueles sentimentos ruins estavam sendo arrancados de mim.

Entrega total

A partir daí comecei a ir à Igreja também para lutar pelos meus estudos. Com muita perseverança me formei no ensino secundário, para surpresa dos meus professores que achavam que eu era um caso perdido.
Quando chegou a época de participar da minha primeira Campanha de Israel, fiz meu sacrifício pra me livrar do vício da pornografia. Na mesma semana que entreguei o meu voto fui liberto. Depois disso, me desvencilhei também das más companhias.

Hoje posso dizer que tenho um bom relacionamento com meu pai. Não foi fácil. Levou tempo, mas com os ensinamentos que aprendi nas reuniões e com a ajuda de Deus, criei coragem para procurá-lo e pedir perdão por odiá-lo. Hoje tenho paz. Lutei contra o mal que havia em mim e venci!

Carlos Peixoto, Finsbury Park

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