Enfrentando o meu assassino

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Enfrentando o meu assassino

Viver em casa com os meus pais, fazia-me sentir preso numa caixa fechada. Os meus pais eram superprotectores e controladores. Eu sentia-me sufocado por eles. Tinha de chegar em casa a determinada hora, as minhas amizades eram monitorizadas, ou seja, os meus pais tinham de saber quem eram as minhas companhias e, para piorar, não me davam dinheiro.

Então, como um jovem de 16 anos de idade, eu rebelei-me. Eu não queria saber o que era permitido fazer ou não. Comecei a fazer novas amizades, com vizinhos e colegas da escola. Consequentemente, comecei a frequentar a casa deles e a fumar. Quanto aos meus pais, eu mentia-lhes, constantemente, dizendo que estava a estudar com colegas da escola.

A partir do dia em que eu experimentei, pela primeira vez, o cigarro, eu fiquei viciado. Eu fumava todos os dias. Mais tarde, eu comecei a fumar haxixe. Era fácil estar em, constante, contacto com esse tipo de droga uma vez que os meus amigos sempre me influenciavam a fumar. Quando comecei a estudar na Universidade, eu mudei de casa e comecei a trabalhar num bar. Naquele momento, eu tinha dinheiro e podia fazer o que quisesse. Foi a partir daí que eu comecei a consumir cocaína, heroína e ecstasy. Eu ia a festas durante a noite toda e acabava por perder aulas pois, o uso excessivo de drogas fazia-me dormir muito e fracassar nos meus estudos. Sem nada a fazer com relação a isso, eu voltei para a cidade onde eu cresci e, rapidamente, pude rever os meus amigos de infância.

casos-in21Aos 25 anos de idade, eu conheci melhor a Carla. Nós começámos a namorar e quando nos casámos, viemos para Londres. Mas, se você pensa que o meu vício tinha terminado, está muito enganado.

Em menos de uma semana, eu fiz amigos que eram usuários de drogas. Apesar de querer parar, eu não tinha força de vontade para fazê-lo. Quanto mais tempo passava, mais eu fumava. Era muito mais fácil conseguir drogas em Londres. Eu fumava maconha, haxixe e cocaína, gastando £ 40 por dia para satisfazer o meu vício. Para piorar, eu era um marido ausente devido ao constante uso de drogas com os amigos. Obviamente, a minha esposa não ficava contente com aquela situação e não demorou muito para ela perceber que o pequeno cigarro de haxixe, que eu fumava de vez em quando, era um vício que se tornou o seu maior inimigo. Com o tempo, as coisas pioraram entre nós. Sete anos de casamento já estavam por um fio. Eu era agressivo com palavras e nós passávamos os dias a discutir.

Enquanto a minha vida estava toda destruída, o meu tio continuava a convidar-me para ir a um lugar chamado Centro de Ajuda.

Mas, o que quer que isso fosse, eu não estava, minimamente, interessado. Porém, ele insistiu e eu decidi ir com ele. Quando cheguei ao Centro de Ajuda, fiquei surpreendido porque o ambiente não era como eu esperava. Embora, eu tivesse preconceitos e ideias pré-concebidas sobre o Centro de Ajuda, eu não consegui ficar indiferente à mensagem que foi transmitida e a forma como foi passada. Nas primeiras semanas, eu estava cético, eu não acreditava em tudo o que o conselheiro espiritual dizia. Além disso, a minha atitude não mudou. Eu ainda fumava cigarros e usava drogas antes de ir para as reuniões.

Mas com o tempo, comecei a prestar atenção aos testemunhos que as pessoas davam. Eu estava a aprender a respeito de Deus. Comecei a acreditar, gradualmente, naquelas palavras. No entanto, a única coisa que eu duvidava era que eu iria parar de fumar. Eu já havia tentado muitas vezes, mas o desejo nunca foi embora e eu sempre cedia à tentação.

Foi anunciada uma Vigília de Ano Novo. Sinceramente, eu não queria participar daquela Vigília, mas o meu tio insistiu. Quando a Vigília terminou, curiosamente, eu fui uma das últimas pessoas a sair. Eu tinha feito um pacto com Deus de mudar a minha vida e a minha conduta. Eu decidi que a partircasos-in31 de então, as coisas seriam diferentes.

Tudo muda quando você toma uma decisão. Eu tomei a minha! No dia seguinte, peguei em todas as drogas que tinha comigo, lancei na sanita e puxei o autoclismo. Eu sabia o que tinha acontecido naquela Vigília. Era como se o meu coração tivesse sido quebrantado, e eu lancei-me nos braços de Deus, sem duvidar. O único vício que ainda me aprisionava era o tabaco.

Quando a Campanha de Israel foi anunciada, eu vi aquilo como uma oportunidade para livrar-me daquele vício maldito. Peguei o envelope e decidi que iria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para alcançar o meu objetivo. Depois de três semanas eu parei de fumar e já não tinha vontade de fazê-lo. Após isso, o meu casamento começou a melhorar, pois eu já tinha cortado a raíz dos nossos problemas – o vício. As discussões sempre aconteciam devido ao tempo que passava fora de casa, drogando-me, mas visto que combati esse problema, já não havia necessidade de eu estar longe de casa.

Comecei a ajudar mais a minha esposa em casa e isso aproximou-nos. Depois de dois meses, minha esposa começou a ser uma pessoa assídua no Centro de Ajuda, levando as coisas de Deus a sério.

Isso trouxe-me muita alegria. Já se passaram quatro anos e todas as áreas da minha vida são bem sucedidas. Eu tenho o meu próprio negócio. Um mercado com tudo incluído: talho, mercearia e produtos variados. Tenho parceria com o meu tio, que há quatro anos atrás me convidou para o Centro de Ajuda. Tenho progredido gradualmente e adquirido novos clientes.

Pubs, restaurantes e escolas querem os meus serviços. Consequentemente, eu consegui comprar uma casa no meu país de origem e uma propriedade aqui em Londres. Enfim, eu enfrentei várias batalhas, mas o segredo é tomar uma decisão e ter a certeza de que a situação será ultrapassada. Durante a minha jornada, eu cheguei à conclusão de que não importa o quão grande é o problema, Deus é maior do que todos eles.

Ricardo Perestrelo

 

 

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